Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

Soube-me a pouco

 

Confesso que fiquei desapontada com a primeira entrevista dada por Diogo Infante ao Expresso, na qualidade de director do Teatro Nacional D. Maria II.

O novo director do mais importante teatro português deveria ter mais a dizer, mas preferiu ficar-se pelo óbvio. Parece-me uma entrevista muito defensiva prevenindo que, por o orçamento ser curto, tem «nas mãos um presente envenenado». Parece querer desculpar-se já do insucesso que prevê...

Quando em Junho ou Julho soube que Diogo Infante iria dirigir o D. Maria, fiquei bastante animada e fiquei com muita esperança que conseguisse devolver a este teatro as glórias do tempo da Companhia Rey-Colaço Robles Monteiro. Por isso, esperava uma pequena antevisão das peças a que poderemos vir a assistir no D. Maria, dos actores que pretende trazer de volta, do público-alvo, enfim, esperava uma entrevista mais animadora.

Todos sabemos que os cinco milhões de euros atribuídos pelo Orçamento de Estado ao Teatro Nacional D. Maria II são uma verba vergonhosamente curta, mais ainda se tivermos em conta que, desses cinco milhões, apenas um milhão e meio são destinados à programação. Todos sabemos que «este teatro não tem sido activo o suficiente na produção, nem tem tido um papel relevante no panorama cultural nacional

No entanto, gosto de saber que Diogo Infante já tem «levado a cabo várias operações de charme», e que tem sentido uma abertura maior por parte do meio artístico para colaborar com o D. Maria. Gosto de saber que, apesar de ser forçosamente reduzida, vai apresentar uma programação de qualidade. Fico muito contente que se preocupe em apostar na comunicação e no mecenato (sendo certo que, com a actual lei do mecenato - que actualmente apenas serve para resolver problemas de financiamento dos organismos estatais - não poderá fazer grande coisa, a menos que Diogo Infante use a sua popularidade e a sua nova condição de director do D. Maria para fazer pressão, de forma a que a actual lei seja revista). Concordo, também, que faça as tais «intervenções estéticas não danosas» no teatro.

Concordo com o que Diogo Infante deixou no ar. Concordo, sobretudo, com a sua nomeação. Mas esta entrevista soube-me a pouco.

 

Foto: Alberto Frias para o Expresso

publicado por Maria Pia às 12:36
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2 comentários:
De ana a 25 de Fevereiro de 2009 às 00:54
soube a pouco? soube a nada.

... e a coisa mais importante parece ser o tapete.
De Pirelli a 27 de Fevereiro de 2009 às 10:48
Não terá o Dioguinho sido nomeado por outros motivos???
Não terá o seu charme despertado um maior apoio por parte do governo???
Agora fica aqui a minha aposta na grande mega produção para este ano:
"O casamento de Pinóquio com o grilo falante"

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