Sexta-feira, 20 de Março de 2009

So british

 

No passado dia 9 de Março foi revelado em Londres o único retrato de William Shakespeare pintado antes da sua morte, em 1616. Apesar das 37 peças e 154 sonetos deixados por um dos maiores autores e dramaturgos de sempre, muito pouco se sabe sobre a vida de Shakespeare. Um mistério que Inglaterra tenta desvendar há mais de 400 anos.

 

A história deste quadro é curiosa. De acordo com o Le Monde, tudo começou em 2006, quando Alec Cobbe, um aristocrata inglês e restaurador de pintura, visita a exposição "Searching for Shakespeare" na National Portrait Gallery, de Londres. Nesta exposição eram apresentados seis retratos e, supostamente, cada um deles, teria sido pintado antes da morte de William Shakespeare. Após algum tempo e diversas peritagens, tinha-se descoberto que eram todos falsos. No entanto, um deles chamou a atenção de Alec Cobbe, por ser muito semelhante a um outro retrato que Cobbe tinha em casa e cuja origem desconhecia.

 

Após diversas pesquisas conseguiu descobrir que o quadro que herdara tinha sido pintado por volta de 1610 e que se tratava, na realidade, do original, enquanto que o quadro que figurava nas paredes da exposição era uma cópia. Percebeu que, afinal de contas, ele possuía o único retrato de Shakespeare pintado durante a sua vida!

 

Um facto determinante torna esta hipótese ainda mais plausível. A família Cobbe herdou grande parte dos bens de Henry Wriothesley, terceiro Conde de Southampton e um dos mecenas de Shakespeare, de quem se diz ter sido amante.

 

Stanley Wells, professor na Universidade de Birmingham e reconhecido especialista sobre o autor, ficou convencido e actualmente acredita "com 90% de segurança" que a pintura que Alec Cobbe possui é mesmo a tão procurada  imagem de William Shakespeare.

 

O retrato estará exposto, a partir do próximo dia 23 de Abril, no Shakespeare Birthplace Trust - que é presidido por Stanley Wells - em Statford-upon-Avon, onde William Shakespeare, nuns longínquos 23 de Abril, nasceu, morreu e foi enterrado.

 

No entanto, a polémica permanece, pois há diversos peritos que não acreditam na veracidade do quadro. Há quem entenda que esta é uma história demasiadamente bem contada e conveniente.

 

Polémicas à parte, o Times escreve que "mesmo que este não seja o rosto de Shakespeare, é com certeza o tipo de rosto que ele mereceria".

 

E eu concordo. Depois de obras tão magníficas como "Hamlet", "Romeu e Julieta" ou "Rei Lear", entendo que Shakespeare é mais do que merecedor de um mistério que lhe atribua uma aura de eternidade.

 

Além disso, depois de mais de 400 anos a tentar desvendar a vida de William Shakespeare, os ingleses não iriam deixar esquecer um dos mistérios mais famosos do mundo, cujo protagonista fez com que a sua língua ficasse conhecida como "a língua de Shakespeare".

 

E, no fundo, um bom mistério é "so british"...

 

Foto: AFP/Leon Neal

publicado por Maria Pia às 11:52
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